Câmbio afeta os resultados da Marfrig 24/02/2017

 Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

 
Quase um mês após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliar sua participação na Marfrig Global Foods por meio da conversão de debêntures em ações, a companhia informou ontem que teve prejuízo líquido de R$ 726 milhões em 2016, redução de quase 50% ante o prejuízo de R$ 1,424 bilhão visto em 2015.
 
Em grande medida, esse desempenho se deve ao melhor resultado financeiro. Com a apreciação do real, que reduz as despesas com juros, e a gestão de dívida (a empresa fez captações no exterior para quitar dívidas mais caras), a Marfrig reduziu o prejuízo financeiro em R$ 1,1 bilhão no ano passado, para aproximadamente R$ 2 bilhões.
 
Considerando apenas o quarto trimestre, contudo, o prejuízo líquido da companhia aumentou. Entre outubro e dezembro, a Marfrig teve prejuízo líquido de R$ 241 milhões, mais de três vezes superior à perda R$ 72 milhões registrada no mesmo período de 2015.
 
Também por causa do câmbio, a receita líquida da Marfrig caiu 1,1% em 2016, para R$ 19,3 bilhões, e 6,3% no quarto trimestre, para R$ 5 bilhões. Na mesma toada, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado do ano passado chegou a R$ 1,593 bilhão, queda de 8,5% ante R$ 1,742 bilhões de 2015. No quarto trimestre, a redução do Ebitda ajustado foi ainda maior, de 23,9%, para R$ 394 milhões. Nesse contexto, a margem Ebitda da companhia saiu de 8,9% no ano retrasado para 8,2% em 2016, e de 9,7% no quarto trimestre de 2015 para 8,2% no último trimestre do ano passado.
 
Não fosse a apreciação cambial, a receita e o resultado operacional da Marfrig poderiam ter sido melhores no quarto trimestre, impulsionados pelo melhor desempenho da subsidiária Keystone. Responsável por mais de 50% das vendas da companhia, a subsidiária teve receita líquida de US$ 2,697 bilhões no ano passado, estável (0,2%) ante os US$ 2,691 bilhões do ano anterior. No quarto trimestre, o aumento foi de 12%, alcançando US$ 712 milhões.
 
Sediada nos EUA e com operações na Ásia, a Keystone á a menina dos olhos da Marfrig, que já admitiu que está avaliando fazer a abertura de capital da subsidiária, no que seguiria o caminho de BRF e JBS, que também pretendem abrir o capital de subsidiárias. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, é factível realizar o IPO da Keystone ainda em 2017, no segundo semestre.
 
Para a Marfrig, abrir o capital da Keystone seria uma forma de acelerar o processo de deslavancagem e intensificar o crescimento na Ásia. O IPO da Keystone pode ajudar a "destravar" o valor da Marfrig na bolsa. Nos EUA, empresas similares à Keystone, como a AdvancePierre, são negociadas a múltiplos (relação entre valor empresarial e Ebitda) ao redor de 10 vezes, enquanto a Marfrig oscila perto de 6 vezes. Se decidir pelo IPO e conseguir avaliação semelhante à dos pares, a Keystone poderia obter entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão em uma abertura de capital, caso venda de 25% a 30% do capital.
 
Fonte: Valor
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