BRF tem primeiro prejuízo da história 24/02/2017

 Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

 
A recessão da economia brasileira não poupou a BRF nem mesmo nas festas de Natal e Ano-Novo. A companhia, que passou boa parte do último ano pressionada pela disparada das cotações do milho no país, reportou ontem o primeiro prejuízo anual desde que foi criada, em 2009.
 
No ano passado, a dona das marcas Sadia e Perdigão teve um prejuízo líquido R$ 372 milhões, ante um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões em 2015. O resultado negativo foi provocado pelo desempenho do quarto trimestre, período no qual a BRF amargou perda de R$ 460 milhões. Geralmente, o quarto trimestre é o mais forte para a empresa, que vende as carnes típicas do fim do ano.
 
Além do ambiente delicado no mercado interno, a BRF também foi afetada pela apreciação do real ante o dólar. Embora possa contribuir para reduzir as despesas com os grãos - commodities lastreadas em dólar -, a valorização da moeda brasileira reduz a rentabilidade das exportações da empresa, que lidera o comércio global de carne de frango.
 
Nesse contexto, a receita líquida da BRF caiu 4,1% no quarto trimestre, somando R$ 8,590 bilhões. No acumulado de 2016, no entanto, a receita líquida da companhia aumentou 4,8%, para R$ 33,7 bilhões. O crescimento da receita com vendas em 2016 decorreu sobretudo das aquisições feitas pela BRF no exterior. A companhia, que vem apostando na globalização de suas operações, já investiu US$ 1,6 bilhão para se internacionalizar desde 2013.
 
"A conjunção de fatores setoriais, conjunturais e de incertezas políticas, somada a alguns desafios de execução interna, nos levaram a resultados muito aquém do esperado e muito abaixo do potencial da BRF", reconheceu a companhia, em comunicado assinado pelo presidente do conselho da administração da BRF, Abilio Diniz, e pelo CEO da empresa, Pedro Faria.
 
No quarto trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da BRF totalizou R$ 559 milhões, redução de 70,4% na comparação com igual intervalo de 2015. Com isso, a margem Ebitda diminuiu 14,5 pontos percentuais nessa mesma comparação, de 21% a 6,5%.
 
Em 2016, o Ebitda da BRF alcançou R$ 3,413 bilhões, retração de 38,8% ante os R$ 5,525 bilhões reportados um ano antes. A margem Ebitda do último ano foi de 10,1%, redução de 7 pontos percentuais.
 
Líder do mercado brasileiro de alimentos processados, a BRF voltou a perder participação no quarto trimestre. Citando dados da consultoria Nielsen, a empresa informou que perdeu 0,6 ponto percentual de sua fatia de mercado. "A competição vinda de marcas regionais, cujo posicionamento fica entre 60% e 80% do índice de preço, impactou principalmente as categorias de embutidos e pratos prontos", reconheceu a BRF.
 
Em meio à concorrência acirrada e à migração para marcas mais baratas, o lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) da BRF Brasil caiu 44,9%, para R$ 271 milhões. O Brasil é responsável por 40% das receitas da BRF.
Fonte: Valor
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