Governo teme impacto da Carne Fraca no acordo Mercosul-União Europeia 17/03/2017

 Por Daniel Rittner e Assis Moreira | Valor

 
(Atualizada às 17h) O governo brasileiro já teme efeitos negativos da Operação Carne Fraca na negociação para o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A fraude detectada em certificados de grandes frigoríficos pode frustrar as tentativas do bloco sul-americano de obter cotas para aumentar as exportações de carnes à UE com tarifas reduzidas.
 
Para uma fonte do governo que acompanha as negociações, a operação da Polícia Federal dá munição ao lobby protecionista dos produtores europeus, que buscam barrar a concorrência de brasileiros e argentinos. Uma reunião do comitê negociador está prevista para o fim do mês, em Buenos Aires, e havia expectativa de o Mercosul avançar na inclusão de cotas para carnes e etanol.
 
Esses dois produtos ficaram fora da oferta inicial da UE para um acordo de livre comércio. Sem avanço nenhum nessas áreas, o Brasil vinha apontando a inviabilidade de evoluir nas negociações.
 
Cautela 
 
Ninguém na Europa está em condições de dizer no momento se a falsificação de certificados veterinários, investigada na operação Carne Fraca, afeta as exportações de carnes do Brasil para o mercado europeu, e é preciso muita prudência sobre a questão.
 
É o que diz Jean-Luc Meriaux, secretário-geral da União Europeia do Comercio de Gado e de Carnes (UECBV, em francês), que representa boa parte dos importadores no velho continente. Ele tinha em mãos cópia da decisão da Justiça do Paraná e tentava entender a situação.
 
O executivo aconselha, sobretudo, a não se fazer amálgama entre uma operação sobre falsificação de documentos com controle nas fronteiras e negociações de um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. “São procedimentos radicalmente diferentes, o alerta Rapid, da UE, normalmente detecta questão de salmonela. Mas um controle positivo de salmonela não quer dizer necessariamente que resulta de falsificação de certificação veterinária”, afirmou, visivelmente cauteloso.
 
A nova rodada de negociações entre a UE e o Mercosul ocorrerá na semana que vem em Buenos Aires. E para Meriaux, é preciso não misturar as coisas, e não se pronunciar tão rapidamente no momento.
Fonte: Valor
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