Egito, 3º maior importador, mantém compra de carne bovina brasileira 21/03/2017

O Egito, um dos principais compradores da carne bovina brasileira, decidiu no final de semana manter seus portos abertos ao produto, na contramão das medidas restritivas adotadas pela União Europeia e pela China.

A decisão foi motivada, em parte, porque o Egito já pede que a carne tenha um certificado islâmico, obtido pelas empresas exportadoras após inspeções adicionais.

O selo, conhecido como "halal", atesta que a produção e o abate foram feitos de acordo com as exigências religiosas e sanitárias islâmicas. Grandes frigoríficos, como BRF e JBS, têm linhas de produtos a esse mercado.

"Isso significa que há mais procedimentos", diz à reportagem da Folha Hamid Abd al-Daim, porta-voz do Ministério da Agricultura do Egito.

O governo egípcio investigou as supostas irregularidades na carne brasileira, monitorada em seus portos, e concluiu não haver por enquanto motivos para cortar o suprimento.

O Egito foi em 2016 o terceiro principal importador da carne bovina brasileira, atrás de Hong Kong e da China.

Esse país —o mais populoso entre os árabes— importou o equivalente a US$ 528 milhões (R$ 1,6 bilhões) do produto, o que correspondia naquele ano a quase 30% do total de suas importações vindas do Brasil.

EMBAIXADAS

Ali Zoghbi, vice-presidente da Fambras (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil), afirma que há nesses casos "a segurança dessas auditorias independentes".

Dessa maneira, a Fambras —que emite seu próprio certificado— tem atuado junto às embaixadas árabes para insistir nessas garantias.

"É um certificado independente emitido por entidades que não estão sob o comando dos frigoríficos", diz.
O selo "halal" segue uma série de condições religiosas, como a presença de um muçulmano durante o abate.

Mas há também diversas exigências técnicas que poderiam ser estudadas pelo restante do setor, diz Mohamed Habib, professor de ciências biológicas na Unicamp e membro da comissão nacional de biosegurança.

O processo de abate inclui, por exemplo, a eliminação quase total do sangue da carne, considerada uma fonte de contaminação. Essa exigência dá, diz Habib, um maior tempo de prateleira.

"Não precisa chamar de 'halal'. Não é sobre o termo, mas a metodologia", diz.

O processo de certificação de um produto com o selo "halal" por entidades como a Fambras envolve auditorias e acompanhamentos específicos tanto da questão religiosa quanto da técnica. O serviço é pago pelas firmas.

Mohamed Zoghbi, presidente da federação muçulmana, diz que o processo pode durar entre 15 dias e um mês, a depender da empresa e da quantidade de adequações a serem implementadas no processo produtivo.

Fonte: Folha
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