Reação dos importadores de carne surpreende e assusta o governo 21/03/2017

A decisão da União Europeia, da China, do Chile e da Coréia do Sul (esta voltou atrás posteriormente) de suspender total ou parcialmente a compra de carne e derivados brasileiros, surpreendeu o governo Temer. O Palácio do Planalto esperava que a rápida reação empreendida desde a deflagração pela Polícia Federal da Operação Carne Fraca na sexta-feira e as primeiras explicações dadas aos embaixadores dos principais importadores em Brasil fossem suficientes para acalmar os compradores internacionais. Não bastou. Ficaram as suspeitas de que o problema pode ir além dos já detectados nos 21 frigoríficos investigados até agora pela PF e cujas exportações estão suspensas.

 

Portanto, o governo brasileiro deverá ir muito além do combate a esse que está chamando de apenas “um problema pontual” e passar uma “lava-jato” em todo o sistema de vigilância sanitária brasileira e também na forma de conduzir a gestão do Ministério da Agricultura, limpando a área da maléfica influência política que por lá impera há anos. Ou seja, trocar a mera gestão política por uma gestão técnica e profissional. No fim de semana, foram demitidos os superintendentes regionais do Paraná e de Goiás, onde o problema aflorou, ambos apadrinhados de partidos aliados, PP e PMDB. Serão os únicos? Todos os indícios são de que não, pelo contrário. Um dos líderes do setor, o senador Ronaldo Caiado, diz que é preciso extirpar essa influência. O “Valor Econômico” diz que o Ministério da Agricultura ignorou alerta do TCU sobre falhas em inspeção.

É preciso cautela também ao discutir o papel da Polícia Federal no episódio. Muitos críticos dão razão ao Palácio do Planalto, acham mesmo que os investigadores criaram um espetáculo desnecessário numa questão tão delicada, sensível, que atinge um setor crucial da economia brasileira e cria temores porque afeta à opinião pública. Que pode, inclusive, ter cometido erros técnicos na avaliação das denúncias. Porém, isto não apaga o fato de que o problema é grave. Ponto. Na sua defesa, a PF agora insinua que o quadro pode ser ainda mais grave, ela guardou revelações ainda sob sigilo. E diz que desde sexta-feira está recebendo denúncias de problemas idênticos em outros pontos.

 

É hora de transparência absoluta. O risco é o que o ministro Blairo Maggi definiu como um “desastre”: perder mercados para os concorrentes. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, por exemplo, a Associação de Comércio Exterior do Brasil avalia que para exportar agora o Brasil terá de reduzir o preço da carne em até 20%. E mesmo assim deve haver uma queda no volume vendido.

Fonte: Infomoney
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