JBS: Controladores venderam mais ações em maio, antes das delações 11/06/2017

Por terem vendido os papéis da JBS antes do efeito negativo que a delação teve sobre os preços na bolsa, os controladores evitaram perda de R$ 97 milhões com as vendas de ações feitas em abril, e de mais R$ 11 milhões com as transações pré-delação do mês de maio. Esse cálculo considera o preço médio de venda efetivo com as cotações na última sexta-feira.

 

A documentação enviada à CVM mostra que os controladores continuaram vendendo ações após a divulgação da delação. Em negócios nos dias 22, 29, 30 e 31 de maio, se desfizeram de mais, 51% do capital, levantando R$ 110 milhões.

 

Ao todo, os controladores arrecadaram R$ 483 milhões com vendas de ações da JBS no mercado entre abril e maio. Por meio da FB Participações, a família dos irmãos Joesley e Wesley Batista ainda possui 42,51% das ações da empresa de proteína animal, posição avaliada em R$ 8,42 bilhões.

 

Os acionistas controladores da JBS venderam mais ações da empresa no mês de maio, sendo uma parcela de R$ 45 milhões ainda antes da divulgação da existência de delação premiada deles próprios à Procuradoria-Geral da República, o que só ocorreu na noite do dia 17.

 

Um lote que rendeu R$ 9,95 milhões foi vendido no dia 16 e outro maior, que gerou R$ 35,11 milhões, no próprio dia 17. Nos dois dias, venderam 0,17% do capital. Após o fechamento do pregão do dia 17, o site do jornal "O Globo" trouxe a notícia da delação, que foi confirmada e homologada no dia seguinte.

 

Já se sabia que os controladores tinham vendido 1,16% do capital da companhia em abril, por R$ 328 milhões.

 

As informações sobre os negócios de maio foram divulgadas em documentos enviados pela própria JBS à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste sábado, já que se exige prestação de contas mensal sobre esse tipo de movimentação.

 

Em conjunto com a Polícia Federal, a CVM investiga o suposto uso de informação privilegiada nessas operações dos controladores. Os órgãos também apuram se a JBS, como empresa, também teria praticado irregularidade semelhante ao comprar dólar no mercado futuro no mês de maio.

 

A CVM e a PF também analisam se as vendas de ações dos controladores foram feitas de forma combinada com um programa de recompra de ações conduzido pela JBS. Tanto em abril como em maio a JBS comprou ações de sua emissão no mercado. Houve coincidência de data, com os controladores na ponta de venda e com a empresa atuando como compradora, em quatro dias de abril e no dia 17 de maio.

 

Em nota, a J&F, controladora da JBS, tem negado qualquer ilegalidade nos negócios. A empresa reiterou que que “todas as operações de compra e venda de moedas, ações e títulos realizadas pela J&F, suas subsidiárias e seus controladores seguem as leis que regulamentam tais transações”.

Fonte: Valor Econômico
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