Silêncio é estratégia para estancar nova crise 14/07/2017

O silêncio do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, deu a tônica da reação do ministério à revelação de que a JBS pagava mensalmente até R$ 20 mil a auditores fiscais agropecuários federais para que eles flexibilizassem a aplicação das normas sanitárias e trabalhassem além do horário comercial padrão.  

O Valor apurou que a ausência de explicações por notas oficiais ou publicações em redes sociais - expediente usado por Blairo - fez parte de uma estratégia de comunicação guiada pelo Palácio do Planalto. O objetivo é não criar mais uma crise para o governo Michel Temer e não aprofundar mais os problemas de credibilidade que atingem as carnes brasileiras desde a Operação Carne Fraca. E aguardar a divulgação dos nomes dos fiscais pelo Ministério Público e assim promover punições.

Apesar do silêncio de Brasília, as declarações do secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, em Genebra causaram desconforto. Procurada pelo Valor, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) contestou em nota a possibilidade de outras empresas pagarem "mensalinhos" aos fiscais, como o secretário deu a entender. 

Nem todas as empresas podem ser medidas pela régua da JBS. Se há outros frigoríficos que agiram da mesma forma, o Ministério deve citá-los de forma explícita, sob risco de penalizar e generalizar injustamente a todos, bem como provar as acusações e punir quem for merecedor", criticou o presidente da Abrafrigo, Péricles Salazar, em comunicado. 

Para a Sociedade Rural Brasileira (SRB), Blairo Maggi deve fazer mudanças "imediatas" na estrutura de fiscalização sanitária em todo o país. A entidade defendeu "mudança no modelo de inspeção" e a "criação de uma corregedoria para prevenir, inibir e investigar os funcionários que cometam irregularidades", citando discussões no âmbito da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). 

Uma das mudanças propostas é a verticalização da linha de comando da inspeção, hoje com etapas intermediárias em âmbito estadual. Para a SRB, há atualmente "excesso de intermediários" no processo de inspeção sanitária. A abolição dessas etapas estaduais, inclusive liberaria funcionários para outras funções, argumentou a entidade.

 

Fonte: Valor Econômico
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