Dez empresas do grupo Bertin pedem recuperação judicial 16/08/2017

 Por Victória Mantoan e Fernanda Pires | Valor

 
SÃO PAULO - (Atualizada às 13h32) O grupo Bertin entrou na madrugada desta quarta-feira na Justiça com pedido de recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 7,86 bilhões de dez de suas empresas, principalmente de concessionárias. Com origem no setor frigorífico, o grupo expandiu a atuação para outras áreas, como concessões de infraestrutua.
 
Compõem o pedido de recuperação para reestruturar a dívida as empresas do grupo Heber, controlado pela família Bertin, a Heber Participações, Cibe Participações e Empreendimentos, Cibe Investimentos e Participações, Compacto Participações, Comapi Agropecuária, Doreta Emprendimentos e Participações, Infra Bertin Empreendimentos, Concessionária SP Mar, Contern Construções e Comércio Ltda e Águas de Itú Gestão Empresarial.
 
O pedido de recuperação judicial decorreu também do agravamento da crise econômica do país. “As dificuldades do grupo começaram em 2014 com o agravamento da crise econômica que vem assolando o país, em especial no setor de infraestrutura, com redução expressiva de novos projetos e custo mais elevado para rolagem de dívidas”, informou a empresa em nota.
 
A decisão de pedir recuperação judicial para as dez empresas se deu após pedido de falência da construtora Contern pelo Banco Fibra feito em julho. Segundo o Valor apurou, já estava claro que a situação financeira do grupo era delicada e uma reestruturação da dívida, necessária. A opção por uma recuperação judicial, porém, teve como gatilho esse pedido de falência.
 
Também pesaram os investimentos feitos por uma das empresas para construção do Trecho Leste do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, e para a operação dos Trechos Sul e Leste do Rodoanel — “com menos praças de pedágio do que as estabelecidas no contrato de concessão”. Tudo somado, o resultado foram custos maiores e menos receitas.
 
O grupo disse que a recuperação judicial é o melhor caminho para garantir a integridade de seus ativos. A assessoria jurídica é do escritório Thomaz Bastos, Waisberg e Kurzweil Advogados, e a financeira, da Galeazzi & Associados.
 
A dívida é predominantemente financeira, sendo que a Caixa Econômica Federal (CEF) é o maior credor, com cerca de R $ 2,5 bilhões. Também constam da lista de credores o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bradesco e Banco Votorantim.
 
Se aceito o pedido, o grupo tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação a ser apreciado pelos credores, que terão até 120 dias para discutir e aprovar a proposta. As opções de desenho financeiro ainda estão sendo avaliadas, mas a expectativa é que envolvam alongamento dos prazos de pagamentos e até venda de ativos.
Fonte: Valor Econômico
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