Zé Mineiro volta ao comando da JBS 18/09/2017

José Batista Sobrinho, o patriarca da família Batista e fundador do império de carnes em que se transformou a JBS na última década, voltará a comandar a empresa em um dos momentos mais delicados de sua história.  Seu nome foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da JBS na noite de sábado, em substituição a seu filho, Wesley Batista, preso desde a última quarta-feira em investigação que apura uso de informação privilegiada no mercado financeiro.

Com 84 anos, Zé Mineiro, como é conhecido, completará o mandato de Wesley e ficará no cargo por dois anos. Nesse período, é intenção da família preparar o filho de Wesley, Wesley Batista Filho, hoje com 26 anos, para assumir o negócio. O BNDES, que vinha pressionando pela saída de Wesley e queria uma profissionalização do comando, concordou com a indicação do fundador para diretor-presidente na reunião, que se deu por teleconferência. Mas o banco de fomento defende que haja um processo para selecionar um executivo do mercado para o posto depois disso.

Wesley Filho - que ocupou cargos de chefia na companhia em cinco países desde 2010 e era até sábado presidente da divisão de carne bovina da JBS USA - passará a ser diretor estatutário e um dos três executivos do novo "Time Global de Liderança" criado para assessorar Zé Mineiro nas tomadas de decisões. Esse "time" será formado também por Gilberto Tomazoni, diretor global de operações da JBS, e André Nogueira, presidente da JBS USA. Gilberto Xandó permanece no conselho, mas sem função executiva na empresa. A vaga de Wesley Batista no conselho de administração será ocupada por Aguinaldo Gomes Ramos Filho, que é filho de Valeri, uma das três filhas de Zé Mineiro.

O objetivo foi manter os executivos, como Tomazoni e Nogueira, em suas respectivas áreas de negócios neste momento, uma vez que a JBS é uma companhia segmentada tanto em termos de produtos como geograficamente, com operações no Brasil e no exterior.  "Neste importante momento da empresa, a maior prioridade definida pelo conselho de administração é garantir o sucesso do negócio e a prosperidade dos colaboradores, acionistas e todos os stakeholders", afirma Tarek Farahat, presidente do Conselho de Administração da JBS, em comunicado divulgado na noite de ontem. 

Diante da crescente pressão que o BNDES exercia sobre a empresa para exigir a profissionalização do comando, a família chegou a considerar a indicação de Wesley Filho imediatamente, em um claro sinal de endurecimento perante o banco. Mas o conselho avaliou que não era o momento. De acordo com uma fonte, o vazamento da informação de que a família considerava o nome do herdeiro fez com que o banco de fomento aceitasse negociar e se abrisse para o nome de Zé Mineiro.

A indicação de Wesley Batista Filho, na visão do BNDES, representaria a perpetuação do conflito de interesses que o banco já havia identificado e que o levou a defender o afastamento de Wesley. O banco chegou a pedir a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da JBS, suspensa por decisão judicial, para apurar responsabilidades pelos prejuízos causados à companhia pelos administradores e ex-administradores envolvidos nos atos ilícitos confessados nos acordos de colaboração premiada do grupo. Procurado, o BNDES não se manifestou até o fechamento desta edição.

Já o patriarca é percebido como alguém que atuará no melhor interesse da companhia e que, por sua idade avançada, não se demorará na função, preparando uma sucessão. José Batista sobrinho nasceu em março de 1933 em Carmo do Rio Claro, Minas Gerais. Iniciou o negócio ao abrir um pequeno açougue em Anápolis, Goiás, em 1953, e cresceu aproveitando a demanda criada pelos trabalhadores que construíram Brasília.

Entre os Batista, a decisão de indicar o patriarca teve como objetivo transmitir um recado de que a família se entende controladora do frigorífico, por meio da J&F Investimentos, e não apenas sócia, como foi colocado pelo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo" na sexta-feira. O BNDES tem 21,3% da JBS, enquanto a J&F detém 42,3%.

Na concepção da família, Wesley Filho seria o sucessor natural. A holding J&F Investimentos, que ontem não se manifestou a respeito da eleição de Zé Mineiro, deve publicar nos próximos dias um comunicado destacando ser uma sociedade anônima, com diversos investimentos e ativos - e, portanto, com um impacto econômico e social superior ao do próprio frigorífico. O texto não deverá mencionar, entretanto, que os principais ativos detidos pela J&F foram vendidos para terceiros, em negócios que já se aproximam da fase de conclusão. A holding deve dar ênfase ao acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF), pelo qual assumiu, isoladamente, o ônus financeiro de pagar R$ 10,3 bilhões, em valor bruto, em um prazo de 25 anos.

O acordo permite adesão pelas controladas, para que fiquem livres de processos e cobranças pelas práticas de corrupção da família e de executivos denunciadas. Recentemente, a JBS aderiu ao acordo da J&F Investimentos, sem responsabilidade sobre os pagamentos, com o compromisso de auditoria e acompanhamento dos controles internos por um comitê do MPF.

O BNDES quer influir na escolha dos conselheiros independentes da JBS quando chegar o momento e também tem preocupação em ter voz na escolha de um nome para a diretoria financeira da companhia. "A escolha de um novo CFO é um passo importante para fortalecer a governança da empresa", afirma Tarek Farahat no comunicado divulgado na noite de ontem.

O presidente do BNDES, Rabello de Castro, afirmou na semana passada que a instituição vai trocar os representantes a que tem direito no conselho de administração da JBS. Hoje, apesar de ter duas vagas, o BNDES está com um representante só no conselho da JBS pois Maurício Luchetti, indicado pelo banco, já renunciou ao cargo.Cláudia Azeredo Santos, uma especialista em governança também indicada pelo banco para o conselho da JBS, também renunciou este mês, mas permanecerá na companhia até 9 de outubro.

Fontes dizem que ambos os conselheiros do BNDES renunciaram por razões pessoais e que os dois estariam "desgastados" depois de um longo período em que foram "votos vencidos" em decisões da maioria do conselho, controlado pelos Batista. O Valor apurou que uma das vagas do BNDES no conselho de administração da JBS será ocupada por Cledorvino Belini, ex-presidente da Fiat no Brasil. Belini dependeria apenas de questões burocráticas para ser anunciado. O outro nome está sendo escolhido.

Fonte: Valor Econômico
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