Marfrig reforça aposta no mercado doméstico 17/11/2017

A caminho de concluir uma expansão de 75% na produção de carne bovina, a Marfrig Global Foods também pretende avançar em carne com marca no Brasil, explorando um segmento que até então era ocupado apenas pela Friboi, da JBS, e aproveitando a tendência de recuperação do consumo no Brasil.

Companhia que mais cresceu após maio, quando a delação dos irmãos Batista provocou uma redução nos abates de bovinos da JBS, a Marfrig decidiu relançar a Montana, marca de carne bovina comprada há 15 anos da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó.

Até então dedicada a cortes para churrasco, a Montana passará a contar com uma linha de carnes voltada ao dia a dia (carne moída, cortes para estrogonofe, carne de panela), disse ao Valor o CEO da Marfrig, o uruguaio Martín Secco. Os produtos da nova linha chegarão às gôndolas de varejistas nos próximos dias.

Num primeiro momento, a campanha publicitária de relançamento da marca ficará concentrada nas redes sociais e nas varejistas, mas a Marfrig também avalia fazer inserções na TV em 2018. "Pensamos que deveríamos fazer o investimento na televisão, mas talvez convenha só fazer depois", afirmou Secco. Para ele, o primeiro passo é sentir a receptividade dos consumidores à nova linha da Montana, o que deve levar um período de 90 a 100 dias.

Na visão de Secco, a empresa já recebeu um sinal positivo no terceiro trimestre. No período, as vendas da linha de churrasco da Montana cresceram 38%. A marca Bassi, que seguirá no segmento 'premium', avançou ainda mais, 90%, na comparação com igual período de 2016. Ao todo, as vendas de carne da Marfrig cresceram 6% no terceiro trimestre, disse. "Isso significa que o consumidor está valorizando e imaginamos que essa tendência vai ser reforçada com o plano de comunicação", animou-se.

Além da tentativa de ganhar participação no mercado nacional, a estratégia da Marfrig é encontrar destinação mais rentável para uma produção de carne maior. Aproveitando a retração da concorrência e a maior oferta de boi no país - fruto do momento favorável do ciclo da pecuária -, a empresa reabriu cinco frigoríficos desde julho. Com isso, seus abates mensais no Brasil saíram de 170 mil cabeças em junho para 250 mil em setembro. No mês que vem, devem atingir 300 mil bois, ou 90% da capacidade total, disse Secco.

Para se ter uma ideia da magnitude e velocidade da expansão no país, é como se a Marfrig tivesse criado em apenas seis meses a quarta maior indústria de carne bovina do país, com abates mensais de 130 mil cabeças, o equivalente à metade da Minerva Foods, a terceira maior empresa do segmento. Com uma oferta maior de carne, uma estratégia especial para o Brasil era essencial, ressaltou o CEO.

Além da ofensiva doméstica, a Marfrig também vem ampliando sua fatia nas exportações. No terceiro trimestre, a empresa dobrou os embarques, passando a responder por 23% das exportações brasileiras, ficando só atrás da JBS. Atualmente, o mercado externo representa cerca de 50% das vendas da Marfrig, mas a fatia deve oscilar entre 40% e 45% devido ao avanço no mercado interno, acrescentou ele.

Para os próximos meses, a prioridade da Marfrig nas exportações é habilitar os cinco frigoríficos que foram reabertos para mercados relevantes, como China, União Europeia e Chile. Até agora, as unidades só podem exportar para os países da chamada lista geral - que contempla Hong Kong, o maior importador da carne bovina do país.

Enquanto lida com os desafios no Brasil, a companhia também vem investindo na subsidiária americana Keystone, que representa pouco menos de 50% do faturamento anual de R$ 20 bilhões da Marfrig e está sendo preparada para ir à bolsa americana no primeiro semestre de 2018.

Mas os investimentos também embutem risco. Na terça-feira, as ações da empresa foram pressionadas pela preocupação com a influência negativa dos investimentos na geração de caixa. No terceiro trimestre, o fluxo de caixa da empresa ficou negativo em R$ 621 milhões.

Martín Secco defende os investimentos. "Os clientes da Keystone estão demandando. Não podemos abrir mão dessa oportunidade, ainda que o fluxo de caixa não fique como gostaríamos", disse o executivo.

No caso da Keystone, demanda é crescente na Ásia e também nos EUA, onde avança o mercado de frango sem antibiótico. Além disso, o McDonald's, principal cliente da Keystone, decidiu que, para explorar o apelo da carne fresca, não vai mais comprar o hambúrguer congelado. Para os fornecedores, isso significa ter de adaptar a produção para hambúrguer resfriado.

Embora relativize a queima de caixa, o CEO da Marfrig assegurou que a direção se mantém atenta ao índice de alavancagem (receita líquida e Ebitda trimestral anualizado), que atingiu 3,59 vezes em 31 de setembro. A meta da Marfrig, reforçou, é reduzir esse índice para 2,5 vezes até o fim de 2018. Para tanto, ele conta com o IPO da Keystone e com a geração de caixa das operações de bovinos no Brasil, agora fortalecidas. Passado o aumento dos investimentos para reabrir os frigoríficos, em 2018 o negócio contribuirá para reduzir o endividamento da empresa, disse.

Fonte: Valor Econômico
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