Apesar de embargos, Rússia depende de carnes do Brasil 22/11/2017

 Por Luiz Henrique Mendes e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília

 
Se depender dos fundamentos de oferta e demanda, o embargo russo às carnes bovina e suína do Brasil deve ter fôlego curto. Fechada para EUA e Europa desde a crise geopolítica na Crimeia, a Rússia dependerá dos fornecedores brasileiros, sobretudo em ano de Copa do Mundo.
 
Com o objetivo de transmitir vigorosamente sua insatisfação com a demora brasileira em liberar os mercados de trigo, pescados e carne bovina, a Rússia escolheu 'o melhor momento' para proibir as carnes brasileira, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem.
 
Representantes dos exportadores brasileiros argumentam que, em geral, a demanda russa recua no fim do ano devido ao inverno rigoroso, que chega até a congelar as águas próximas de parte dos portos da Rússia. Além disso, os importadores do país trabalham no regime de cotas e, em dezembro, a maior parte delas já foi usada, segundo uma fonte do setor.
 
Ao Valor, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, minimizou o impacto do embargo, que entrará em vigor em 1º de dezembro. "Com toda a tranquilidade, não vejo motivo para alarme. Temos de quatro a cinco meses para responder aos russos, que é quando o inverno terá terminado. Mas queremos resolver isso mais rápido possível", afirmou Blairo.
 
Embora não cite prazo tão largo quanto os cinco meses mencionados pelo ministro, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, vai na mesma linha. "Neste período, a exportação para eles é praticamente inexistente", disse. De acordo com ele, normalmente as exportações à Rússia só recuperam o ritmo em fevereiro.
 
 
No setor de carne bovina, a avaliação é semelhante. Conforme o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Camardelli, dezembro e janeiro são meses de vendas fracas à Rússia. O que importa é solucionar o impasse com os russos até janeiro de 2018 para retomar os embarques em fevereiro, defendeu Camardelli.
 
Apesar disso, os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Abiec não mostram retração significativa dos embarques de carne bovina em dezembro e janeiro. Em 2016, por exemplo, os dois meses foram responsáveis por 17% dos embarques. Naquele ano, abril foi o pior mês.
 
Em contrapartida, a perda de ritmo é evidente no caso da carne suína. De acordo com dados da Secex compilados pela ABPA, no ano passado o pior mês para o segmento foi dezembro, seguido de janeiro. Juntos, os dois meses responderam por 12,3% do volume total exportado para a Rússia.
 
De qualquer modo, a avaliação do setor é que os russos devem rever o embargo rapidamente. "No médio prazo, o Brasil é insubstituível", avaliou o analista Adolfo Fontes, do Rabobank, citando os embargos decorrentes da crise na Crimeia. Para se ter ideia da relevância do Brasil, basta dizer que o país é o quarto maior produtor de carne suína do mundo. Maior produtor, a China só abastece o mercado interno. EUA e União Europeia, que estão na terceira e quarta posição, não podem vender à Rússia.
 
Em carne bovina, o Brasil é também relevante, disse Fontes. Com os embargos em decorrência da questão geopolítica, só os países da América do Sul têm volume para enviar aos russos. E a capacidade brasileira é muito superior à dos demais países sul-americanos. Segundo maior produtor da região, a Argentina deve exportar ao todo 280 mil toneladas este ano. Apenas para a Rússia, que representa 11% dos embarques do Brasil, as vendas somaram 130 mil toneladas de janeiro a outubro.
 
Fonte: Valor Econômico
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