Com arrendamentos, receita do Frigol crescerá 60% 08/01/2018

 Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

 
Impulsionado pelos arrendamentos dos frigoríficos de Cachoeira Alta (GO) e Juruena (MT), o faturamento do Frigol crescerá 60% em 2018, afirmou ao Valor o presidente da empresa, Luciano Pascon. Ele projeta que a companhia fechará o ano com receita bruta de R$ 2,4 bilhões, ante R$ 1,4 bilhão reportado em 2017.
 
Ao assumir as duas unidades - o arrendamento em Juruena foi anunciado na semana passada -, o Frigol passou a contar com cinco frigoríficos de bovinos e um de suínos. Juntas, as cinco unidades podem abater 80 mil bois por mês, o que faz do Frigol o quarto maior produtor de carne bovina do país, só atrás de JBS, Marfrig Global Foods e Minerva Foods.
 
Segundo Pascon, o frigorífico de Juruena deve iniciar os abates até o fim de fevereiro - a unidade de Cachoeira Alta já está em funcionamento desde dezembro -, após os reparos necessários e a obtenção das licenças de operação. À plena capacidade, Juruena pode abater em torno de 1 mil bovinos por dia.
 
No entanto, a unidade só vai atingir a capacidade total em 2019. Em razão da necessidade de capital de giro, o frigorífico vai aumentar o nível dos abates gradualmente. A expectativa é que a planta inicie as atividades abatendo cerca de 8 mil cabeças por mês e encerre 2018 com abates mensais de 15 mil bovinos. Em 2019, os abates subirão para 20 mil, afirmou o presidente da companhia.
 
Ele projeta que a unidade de Juruena agregará cerca de R$ 50 milhões mensais ao faturamento da empresa. Para tanto, demandará R$ 40 milhões em capital de giro.
 
No primeiro momento, a combinação das operações dos dois frigoríficos arrendados pelo Frigol deve reduzir a participação das exportações nas vendas da companhia. De acordo com Pascon, isso deve ocorrer porque as plantas reabertas não têm todas as habilitações de exportação necessárias. Quando também puderem vender a mercados como a União Europeia, as exportações poderão atingir 25% da receita, acima dos 22% registrados em 2017.
 
Mesmo com a demora para habilitar as plantas para exportação e avanço gradual dos abates, o Frigol já deve registrar um aumento considerável da produção neste ano. A empresa prevê encerrar 2018 com abates totais de 758 mil bovinos, mais de 70% acima das 440 mil cabeças abatidas pela empresa no ano passado. Em 2019, quando os frigoríficos arrendados trabalharem a maior parte dos meses "cheios", os abates poderão se aproximar de 1 milhão de bois.
 
Na avaliação de Pascon, o aumento da capacidade de abates do Frigol é amparado na recomposição da oferta de boi gordo nos últimos anos no país, movimento que também justificou a reabertura de unidades de Marfrig e Minerva. Embora haja quem julgue excessivo o número de frigoríficos reabertos, o presidente do Frigol vê espaço para todos. "Outras plantas não vão atrapalhar nosso projeto, e nem nós vamos atrapalhar o deles", afirmou.
 
Fonte: Valor Econômico
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