Pecuária e avicultura investem em processos sustentáveis para atender consumidores mais exigentes 23/01/2018

 A busca por mais saúde está provocando mudanças nos hábitos alimentares das pessoas. Saber o que está no seu prato – de onde a comida veio, como foi processada e transportada, faz parte do novo mindset dos consumidores e explicam boa parte da ascensão de marcas que se preocupam com esses aspectos.
O relatório “As Tendências Globais em Alimentos & Bebidas 2018”, da Mintel, reitera que a falta de confiança generalizada aumento a necessidade de que produtores se comuniquem de maneira clara com seus clientes sobre seus ingredientes, processos e cadeias.
 
Globalmente, entre setembro de 2016 e agosto de 2017, 29% dos lançamentos de alimentos foram de produtos mais naturais (orgânicos, sem aditivos ou OGM). A exigência por ética e sustentabilidade no setor cresceu de 1% em 2007 para 22% em 2017, de acordo com a mesma pesquisa.
 
Dentro da pecuária e avicultura, a cobrança vem de diversos aspectos: criação mais saudável dos animais, sem gaiolas e com mais espaço, alimentação e rações mais naturais, e redução no uso de antibióticos e químicos. Linhas de carne e frango mais sustentáveis não são mais um nicho, e sim uma tendência geral do mercado.
 
Para Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), a prova disso é que grandes grupos tem tomado ações nesse sentido. Um exemplo é a BRF: em parceria com a ONG World Animal Protection, a empresa estabeleceu diversos objetivos para melhorar suas práticas no fornecimento e produção de alimento. Isso inclui trabalhar com o bem-estar dos animais, como granjas com mais espaço e alimentação de qualidade, e também a gradativa redução da utilização de antimicrobianos.
 
O crescimento de empresas como a Korin, reconhecida por suas práticas sustentáveis pelo Prêmio Eco, também representa esse novo paradigma na produção.
 
A questão da redução de antibióticos é uma das pautas mais relevantes nesse aspecto. Com o uso indiscriminado de medicamentos na criação de bois e frangos preocupa órgãos internacionais, inclusive a Organização das Nações Unidas. A FAO, que promove o diálogo sobre alimentação e agricultura na ONU, aponta que o crescimento no uso de antibióticos em animais eleva o risco de aumento na resistência das bactérias.
 
Uma das principais recomendações da organização é justamente promover boas práticas no setor, reduzindo as chances dos animais ficarem doentes. Pensar em bem-estar, espaço para criação, liberdade, alimentação é uma das chaves.
 
Enquanto os consumidores puxam essas mudanças, o mercado retroalimenta a necessidade dessas discussões também nos negócios B2B. Em 2015, por exemplo, o McDonald’s dos Estados Unidos anunciou que deixaria de comprar carne de frango com antibióticos.
Fonte: Estadão, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.
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