Bancos podem renegociar dívida da JBS por três anos 08/02/2018

Por Vanessa Adachi e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
 
A JBS está de volta à mesa de negociação com bancos credores brasileiros. Em pauta está um acordo para renovar a dívida de curto prazo da companhia por um período maior, ao redor de três anos, segundo pessoas a par do assunto. Em julho do ano passado, sob forte pressão depois da delação premiada de seus controladores, a companhia celebrou acordo com os credores para preservar suas linhas de crédito por doze meses, desde que realizasse amortizações periódicas do principal e pagasse os juros.
 
O prazo vence em julho, e bancos e companhia se anteciparam a ele para tentar fechar um novo acordo que deixe a JBS em situação financeira mais confortável. As conversas mostram uma distensão da relação entre a empresa e o sistema financeiro, num momento em que a companhia se prepara para reportar um dos melhores resultados de sua história, na expectativa de analistas. Embora seus controladores, Wesley e Joesley Batista, permaneçam presos, a JBS tem conseguido se restabelecer operacionalmente.
 
 
"A empresa vem cumprindo o acordo da dívida e também deu garantias. A parte da dívida em aberto será renegociada entre as partes", disse um executivo de banco. A ideia é fechar um acordo em termos semelhantes ao vigente, porém por um prazo maior e com condições mais suaves de amortização. Taxa de juros e percentuais de amortização ainda estão em negociação.
 
Os principais credores envolvidos são Santander, Bradesco, Caixa e Banco do Brasil. No acordo fechado no ano passado com as mesmas instituições, e que envolvia R$ 20,5 bilhões em dívidas, a companhia se comprometeu a amortizar 10% desse valor no prazo de um ano, sendo 2,5% a cada trimestre. Também se comprometeu a fazer amortizações extraordinárias com 80% dos recursos líquidos obtidos com plano de vendas de ativos. Restam agora cerca de R$ 15 bilhões, que são o objeto da renegociação, disseram fontes.
 
O Itaú, que em julho de 2017 já exigira uma amortização maior de seu crédito, da ordem de 40%, novamente se mantém fora desse grupo agora, apurou o Valor. Procurado, o banco não quis comentar. JBS, Bradesco, Santander, BB e Caixa também não comentaram. A dívida de curto prazo total da empresa no país, incluindo o crédito do Itaú, estava em R$ 22 bilhões em julho. O último dado disponível é o de setembro (ver quadro).
 
"A empresa teve uma boa evolução, e o resultado do quarto trimestre deve apontar na direção de desalavancagem e liquidez", disse um analista de um banco brasileiro. No terceiro trimestre, a JBS já registrou forte redução do índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses). No fim de setembro, esse índice era de 3,4 vezes, ante 4,2 vezes em março, o último dado reportado antes da delação dos Batista.
 
Para esse analista, um novo acordo de dívida, mais favorável, faz sentido, já que o risco agora é menor do que em julho, no auge da crise financeira do grupo, e nem naquele cenário os bancos puxaram a corda do grupo.
 
Renegociar a dívida é apenas um dos objetivos de curto prazo que a empresa trabalha para concluir no primeiro semestre. Outros são a obtenção do aval dos auditores para o balanço anual, que precisa sair até março, e a conclusão das negociações da controladora J&F com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) em torno de um acordo de leniência também naquele país. Dentro da empresa, a expectativa é resolver essas pendências no primeiro semestre.
 
Ao mesmo tempo, a JBS mantém vivo o plano de fazer uma abertura de capital nos Estados Unidos, para melhorar sua estrutura de capital. Conseguir levar o IPO adiante, um objetivo traçado antes do turbilhão de maio de 2017, simbolizaria a volta à normalidade, do ponto de vista da JBS.
 
Para analistas, a retomada do IPO nos EUA ainda neste ano é uma possibilidade remota. A avaliação é que a companhia ainda tem muitos obstáculos a superar, dentre os quais destacam o acordo com o DoJ e as investigações que ainda correm na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Afora isso, para um analista, a manutenção da prisão dos irmãos Wesley e Joesley também é um empecilho para conseguir uma avaliação ("valuation") que justifique a opção pelo IPO.
 
"A poeira já assentou em boa parte, mas eles vão ter que esperar mais", apontou um analista de um banco brasileiro, que não quis ser identificado. Em todo o caso, esse analista diz que a companhia precisa manter o projeto vivo. "É uma obrigação demonstrar normalidade. Mas é difícil materializar [o IPO]", avaliou, ressaltando que questões de governança também atrapalham, já que a empresa nomeou emergencialmente como CEO o patriarca dos Batista, com mais de 80 anos.
 
Para Klaus Spielkamp, chefe de renda fixa da Bulltick, corretora baseada em Miami, o IPO vai demorar. "A impressão é que os problemas estão longe de acabar", disse, citando também a ausência de um acordo com o DoJ.
Fonte: Valor Econômico
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