Secretário da Fazenda recebe JBS e diz não haver constrangimento 09/02/2018

BRASÍLIA  -  O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou nesta sexta-feira que não há “contrangimento” pelo fato de ter recebido executivos da JBS hoje em seu gabinete. Segundo ele, a empresa fez uma apresentação “institucional” no encontro e não há “nada a esconder”.

A JBS está envolvida dos escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava-Jato. Henrique Meirelles, chefe do secretário, tinha hoje apenas “despachos internos”, de acordo com a agenda oficial. O ministro da Fazenda tem tido que responder perguntas recorrentes sobre seu relacionamento com o grupo J&F — controlador da JBS. Ele foi presidente do conselho da J&F entre 2014 e 2016. Também trabalhou por meio de um contrato para orientar a criação da plataforma digital do banco Original, do mesmo grupo.

Segundo Guardia, sua agenda é independente da do ministro. “O ministro da Fazenda não tem nada a ver com essa conversa. A conversa foi pedida a mim e eu recebi como recebo qualquer outra empresa. Eu não tenho constrangimento de receber empresários que querem vir aqui falar do negócio, falar de economia e do país. Foi uma reunião como recebo vários outros empresários, segmentos, setores, associações de empresários”, disse. “Minha agenda é pública. Não tenho absolutamente nada para esconder. Estava na agenda”, afirmou.

Guardia disse que recebeu hoje o presidente de Operações Globais da JBS, Gilberto Tomazoni, e o presidente de Operações para a América do Sul, Wesley Batista Filho (cujo cargo, de acordo com o site de Relações com Investidores da JBS, é “diretor sem designação específica”).

Segundo o secretário, os executivos vieram fazer uma apresentação sobre os dados trimestrais da empresa e mostrar o que eles têm feito do ponto de vista de gestão financeira do negócio, aprimoramento de governança corporativa e de melhoras de “compliance”. Questionado sobre qual foi o resultado da JBS no trimestre, Guardia disse que não se lembrava — mas disse que havia sido um lucro (o lucro líquido da JBS somou R$ 323 milhões no terceiro trimestre, queda de 63,6% frente um ano antes).

“Foi uma reunião agendada comigo. Eles tinham pedido para vir aqui. O Tomazoni queria se apresentar e queriam mostrar o que a empresa vinha fazendo para se recuperar nesse período recente”, disse Guardia em entrevista concedida na portaria no Ministério da Fazenda.

Também participou do encontro o secretário-executivo-adjunto Daniel Rodrigues Alves. “Não teve nenhum pedido. Não tratamos de nenhum outro tema, tributário. Foi simplesmente uma apresentação institucional, uma apresentação da empresa sobre o que eles vêm fazendo no período recente”, destacou. Guardia disse apenas que os executivos mencionaram a realização bem-sucedida de uma emissão no exterior recentemente.

O secretário-executivo afirmou que já recebeu empresários de vários setores como do petróleo e do setor financeiro, e que só estava falando sobre a reunião com o JBS porque a imprensa havia solicitado. No caso da JBS, é a primeira vez que Guardia recebe os executivos para um encontro, segundo ele.

Meirelles

Antes de Guardia falar à imprensa, Meirelles afirmou a jornalistas, ao deixar o prédio, que desconhecia o tema da reunião. Apesar disso, disse que havia conversado com Guardia pela manhã e teria sido comunicado por ele sobre o encontro. “Tenho certeza de que secretário vai deixar tudo claro para vocês”, disse.

O ministro falou a jornalistas enquanto a reunião ainda estava acontecendo, ao sair para um encontro com o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto que não estava previsto na agenda original. Segundo o ministro, o encontro com o presidente seria sobre reforma da Previdência e reajustes no preço do botijão de gás.

JBS

Estava prevista na reunião de hoje com o secretário-executivo da Fazenda a presença do diretor-presidente da JBS, José Batista Sobrinho — que acabou não participando do encontro. Ele é pai dos irmãos Wesley e Joesley Batista, que atualmente estão presos preventivamente.

Os executivos do grupo chegaram a firmar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) em que implicavam vários políticos e até mesmo o presidente da República, Michel Temer. Em meio à negociação, Joesley gravou uma conversa com Temer, em que relatava detalhes de seu relacionamento com Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Em setembro, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a rescisão do acordo de colaboração premiada. Conforme divulgado na época, o acordo de delação de Wesley continuaria mantido, mas poderia ser rescindido, se ficasse provado que ele cometeu crime financeiro por negociar ativos com informação privilegiada.

Procurada, a JBS não quis se pronunciar sobre a reunião.

Fonte: Valor Econômico
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